Arquivo de MEIO AMBIENTE

Quem plantou essa muda?

DESAPOSENTAR
(Domingos Pellegrini)

Ele chegou à praça com uma marreta. Endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta.
Amarrou a muda na estaca e se afastou como pra olhar uma obra de arte.
Não resisti a puxar conversa:
- O senhor é da prefeitura?
- Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.
- Ah… O senhor quem plantou essa muda?
- Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí. Olha que beleza, já está toda enfolhada. De tardezinha eu venho regar.
- Então o senhor gosta de plantas.
- De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.
- Obrigado pela parte que me cabe…

Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.
- O senhor é aposentado?
- Não, sou desaposentado.
Foi podando e explicando:
- Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria… Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra Leia o restante deste artigo »

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As abelhas estão indo embora…

"Olhem as abelhas, se elas sumirem a humanidade tem um máximo de quatro anos de sobrevida, pois não haverá plantas e nem animais, a polinização é a grande responsável pela produção de alimentos"

Por Richard Jakubaszko

A notícia estava em página interna da Gazeta Mercantil de sexta-feira (30/3), em míseras duas colunas, com 7 cm de altura, e anunciava que “enxames de abelhas sumiram sem deixar rastro”, em Illinois, EUA. Embora especializado em agronegócio, sou quase neófito em abelhas. Porém, a especialização em agricultura fez com que a displicente e “insignificante” notícia estampada num jornal de negócios me deixasse senão horrorizado, pelo menos de cabelos em pé – isto é, quase a mesma coisa.

A ciência tem como fato que sem abelhas não há agricultura e, portanto, sem elas não há alimentos. Esse laborioso inseto, ao qual os urbanos ficam histéricos só pelo fato do mesmo sobrevoar por perto, poderia ser chamado de “operário de Deus”, pois é incansável na polinização das plantas – e sem a qual estas não produziriam alimentos e tampouco se reproduziriam. Existem outros insetos e até mesmo pássaros polinizadores, mas a abelha é, de longe, o mais difundido e mais importante.

Nenhum outro grande jornal deu a notícia, afora o Estado de S.Paulo e a Gazeta do Povo, do Paraná. Estes se limitaram a registrar os despachos das Agências EFE e Bloomberg News, onde constavam o estupor e a incredulidade de especialistas e apicultores, que informavam não ter explicações Leia o restante deste artigo »

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Aquecimento global - causas e conseqüências

Entrevista com James Hansen, especialista da Nasa em clima: "Temos que agir logo"

Frank Hornig

James Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (Nasa), falou a “Der Spiegel” sobre as causas e conseqüências do aquecimento global - e disse por que restam apenas dez anos para que o mundo seja desviado da rota que nos leva a uma catástrofe climática.

Spiegel: Doutor Hansen, as temperaturas no Central Park, em Nova York, chegaram a 22 graus Celsius em janeiro, os Alpes tiveram pouca neve durante a estação. O inverno está sendo apagado pelo aquecimento global?

James Hansen: Condições atmosféricas e clima são duas coisas diferentes, que freqüentemente confundem as pessoas. A média atual de temperatura é 0,8ºC mais elevada do que no século passado, sendo que três quartos dessa elevação foram registrados nos últimos 30 anos. Mas, comparado às flutuações normais das condições atmosféricas, esse número é bem Leia o restante deste artigo »

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Discussões em torno do problema da água

SEGURANÇA ALIMENTAR E O PROBLEMA DA ÁGUA
Rui Ricardo da Luz

No ano em que estaremos realizando a III Conferência Nacional de Segurança Alimentar não podemos deixar de aprofundar as discussões em torno do problema da água, uma questão intrinsecamente ligada a garantia da segurança alimentar.

Os especialistas acham que, em meados deste século, 7 bilhões de pessoas de 60 países sofrerão escassez desse líquido, no pior dos casos. No melhor deles, serão por volta de 2 bilhões de habitantes em 48 países.

Um dos fatores que reduz os recursos de água doce, seguramente, é a degradação ambiental. Dois milhões de toneladas de resíduos são jogados diariamente nas fontes receptoras, incluindo componentes industriais, químicos, dejetos humanos e resíduos agrícolas (fertilizantes e herbicidas).

Calcula-se que a produção global de águas residuais é aproximadamente de 1.500 quilômetros cúbicos. Se um litro desse líquido residual pode poluir 8 litros de água doce, a carga mundial de poluição pode Leia o restante deste artigo »

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Água, um bem não-renovável

No dia internacional da água, que é um bem não-renovável, os Direitos Universais da mesma e os 10 mandamentos da H2C. Ambos constam no site da empresa www.h2c.com.br. Mais dicas sobre economia de água e afins no site da Universidade da Água: www.uniagua.org.br que vale uma visita. Faça sua parte economizando e ajude a divulgar.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA

1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida e de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceder como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 30 de Declaração Universal dos Direitos Humanos.

3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser manipulada com racionalidade, preocupação e parcimônia.

4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam.

5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para as gerações presentes e futuras.

6. A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor econômico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e diascernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas atualmente disponíveis.

8. A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado.

9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Os 10 mandamentos da H2C

1. Quando estiver lavando pratos com a mão, não deixe a água escorrer enquanto enxaguando. Encha uma vasilha com água de lavar e outra com água de enxaguar.

2. Coloque a funcionar sua máquina de lavar louças ou roupas quando cheias. Você pode economizar 3.600 litros de água por mês.

3. Use uma vassoura no lugar de uma mangueira para limpar suas calçadas e economize água, tempo e dinheiro.

4. Se o seu chuveiro enche um vasilhame de 5 litros em menos de 15 segundos troque o seu chuveiro por um mais eficiente.

5. Reduza o seu tempo de banho em 1 ou 2 minutos e você economizará até 540 litros de água por mês.

6. Ao usar a lavadora de roupa, verifique o nível da água para a carga da máquina.

7. Feche a torneira enquanto escova os dentes e economize até 1.000 litros de água por mês.

8. Feche a água enquanto você ensaboa seus cabelos e economize até 500 litros de água por mês.

9. Feche a torneira enquanto faz a barba e economize até 1.000 litros de água em um mês.

10. Lave seu carro sobre o gramado e você molhará a grama ao mesmo tempo.

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Lévi-Strauss: paixão pelo Brasil

Crédito: Eric Brochu/divulgação CosacNaity

Claude Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas, em 28 de novembro de 1908. Estudou Filosofia e Direito em Paris, mas ganhou reconhecimento mundial com seus estudos etnológicos. É considerado o criador da Antropologia Estrutural e um dos maiores pensadores do século 20. Lévi-Strauss veio ao Brasil pela primeira vez em 1935,
integrando a missão francesa que participou da criação da Universidade de São Paulo. Tinha 26 anos quando ocupou a cadeira de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da USP. Entre 1935 e 1939, viajou pelo país e desenvolveu pesquisas etnológicas com índios kadiwéus e nambikwara. A experiência brasileira foi descrita, anos mais tarde, em 1955, no livro Tristes trópicos, publicado no Brasil pela Companhia das Letras. Com a ocupação da França por tropas alemãs durante a Segunda Guerra, o etnólogo instalou-se nos Estados Unidos e deu aulas na New School for Social Research, em Nova York. Ao retornar à França, Lévi-Strauss assumiu a cadeira de Antropologia no Collège de France, em Paris. Entre suas obras: As estruturas elementares do parentesco, O pensamento selvagem, Antropologia estrutural e As mitológicas, obra dedicada ao estudo dos mitos de povos indígenas americanos, publicada no Brasil pela CosacNaify. Desde 1973, Lévi-Strauss é membro da Academia Francesa de Letras.

Leia, a seguir, a entrevista exclusiva concedida por Lévi-Strauss ao antropólogo brasileiro Marcelo Fiorini, em novembro de 2005, um dia depois de seu aniversário, em seu escritório no Collège de France. A entrevista fará parte de um livro que o pesquisador brasileiro publicará este ano pela Survival International dentro de uma coleção reservada a temas relacionados a povos índigenas do mundo. O objetivo central é chamar a atenção do público brasileiro e do mundo para a situação dos povos indígenas do Brasil e, em particular, dos nambikwara, grupo do qual Lévi-Strauss ainda guarda as melhores lembranças de sua carreira como etnólogo.

Os nambikwara têm hoje várias de suas aldeias ameaçadas: no rio Sararé, por uma indústria de mineração que tenta impedir a demarcação de uma área pleiteada pelo grupo; no Vale do Guaporé, pela destruição contínua das florestas e pela indústria madeireira e, na aldeia Wakalitesu, onde Lévi-Strauss morou, pela penetração do plantio da soja nas áreas indígenas do Cerrado.

Marcelo Fiorini - Que recordações o senhor guarda do Brasil?
Claude Lévi-Strauss - Eu guardo as melhores lembranças de minha estada em São Paulo e entre os índios. A cidade de São Paulo, onde eu vivi, porém, e mesmo a que revi em 1985, quando retornei ao Brasil pela única vez, para acompanhar o presidente francês que fazia uma Leia o restante deste artigo »

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A fonte ameaça secar

pesca

O movimento pela culinária responsável
Por Marcelo Szpilman*

Não há dúvidas de que a carne de peixe é uma das melhores, em se tratando da facilidade de digestão e valor nutritivo. Temos também diversas razões gustativas para apreciarmos as lagostas, camarões e mexilhões. Comê-los sempre foi um ato natural e nada antiecológico. No entanto, para que possamos continuar a consumi-los no futuro devemos pensar de forma responsável sobre este assunto. Os oceanos e sua biodiversidade devem ser vistos como uma prioridade na questão da preservação ambiental.

Apesar de a pesca ser uma das mais antigas atividades desenvolvidas pelo homem, parece que todo esse tempo de prática ainda não foi suficiente para evitar que ela seja realizada de forma predatória. Levantamentos recentes indicam que hoje a captura indiscriminada mata e desperdiça entre 18 e 40 milhões de toneladas de peixes, tubarões, tartarugas e mamíferos marinhos todos os anos, o que representa nada mais nada menos Leia o restante deste artigo »

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Libertar os animais, reumanizar a vida

 

Enxergar nas outras espécies seres que sentem e sofrem é um enorme passo para que o ser humano se livre das brutalidades que comete contra si mesmo.

 

Um meio-sorriso irônico – parte condescendência, parte desdém – ainda predomina, em alguns ambientes, diante do discurso em favor dos direitos dos animais. Ele soa frívolo, a certos ouvidos: é como se sustentá-lo fosse sinal de futilidade ou escapismo, num mundo em que milhões de crianças passam fome ou padecem nas guerras.

Professor de Direito na Universidade de Rutgers (Nova Jersey), o norte-americano Gary Francione tem uma resposta para esta postura de descaso. Produzido pela redação do Le Monde diplomatique, o texto Manifesto pela Libertação dos Animais (cujo título original é “Pour l’abolition de l’animal-esclave”), que integra a edição de setembro do Le Monde Diplomatique-Brasil, é uma síntese das teorias de Garry Francione sobre a abolição da exploração animal, segundo expostas no colóquio “Théories sur les droits des animaux et le bien-être animal”, na Universidade de Valência (Espanha) em maio de 2006. O texto sugere que o massacre dos animais é também um ato do ser humano contra si próprio. Nós o praticamos porque estamos mergulhados em Leia o restante deste artigo »

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A Maior Cratera do Planeta

Encontrado sob as geleiras da Antártica o buraco que engoliu a maior parte das espécies há 250 milhões de anos

Por Luciana Sgarbi

A descoberta de uma cratera com cerca de 460 quilômetros de diâmetro (duas vezes as dimensões da Suíça e mais que a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro) e quase dois quilômetros de profundidade sob as geleiras da Antártica abriu um novo capítulo na história da vida na Terra.

cratera

Até hoje os especialistas acreditavam que 90% das espécies, entre elas os dinossauros, tinham sido exterminadas devido à queda de um meteoro gigante em Chicxulub, na península mexicana de Yucatán, há 65 milhões de anos – com o impacto abriu-se uma cratera de 90 quilômetros de diâmetro que “engolira” as espécies.

Na semana passada, pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, localizaram outra cratera que é cinco vezes maior Leia o restante deste artigo »

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